"(...)Todo melado de emoções informuláveis, saudades impossíveis, tinha vontade de pedir que ficassem, que me colocassem no colo, na cama, que me dessem chá ou leite quente e repetissem que tudo ia ficar bem, que amanhã haveria sol... Ah, mas tudo bem. Em seguida todo mundo se acostuma. As pessoas esquecem umas das outras com tanta facilidade. Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é.
Mas estou avisando que não dou mais um sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos."
(Caio Fernando Abreu)
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